moimeichego

18.12.09

Ego au Feu; Post-Scriptum



Pelas chagas pútridas escorriam o derradeiro testemunho de que o aconchego de teu ninho convertera-se em heras venenosas, ressequidas e nocivas a emaranharem-se em sua própria mesquinhez.

Não obstante, deitei-me no áspero leito de teu ser - outrota cama de frondosas copas. Afundei-me em tua natureza mirrada e desbotada.

Então, em vicioso ode à asfixia em que a putrefação acarretava, entoei o mais belo cântico que a infância corrompida me permitira lembrar.


Só não havia percebido que era um canto fúnebre.


(E, hoje, para os enfermos que se atrevem a repousar aqui, tudo que restou são cinzas.)
posted by Lucas Lara at 05:48 1 comments

2.9.09

Ego au feu



Lembra-te, pequeno, de onde tua luz há de resguardar resquícios sagrados do ruir precoce da cândida infância.

Lembra-te, pequeno, que já terias sucumbido em dor e rancor, se não soubesses como zelar por tal candura. E sorrir para o que há de vir no alvorecer candente, onde anjos de carne flamejam à antemanhã, queimando as trevas em pura luz.

Lembra-te, pequeno, lembra-te! E branda o furor de tua redenção! E, ao ardor de nova aurora, em ti mesmo reluzirá nova ascenção.
posted by Lucas Lara at 01:54 1 comments

2.8.09

Do Algoz de Si Mesmo




Submerja-te, pequeno lorde, em teu sepulcral e torvo mar de si mesmo.

Afunda-te à tua parte mais recôndita, onde a inane sentina de teu eu seja o único testemunho de teu padecer, dissolvendo choros lúgubres em afável canto de jubarte, alheio à tormenta superficial.

Uma vez lá, dê a ti de beber a umbra de teu próprio âmago, lânguido a espalhar o veneno torpe pelas próprias veias...

E feche os olhos.

(Bons sonhos, meu doce lorde.)
posted by Lucas Lara at 19:04 2 comments

2.6.09

Alguém superior...



Novamente tua sensatez patriarcal liquefaria, sem esforço, minhas frívolas lamúrias em lágrima intrusa e sorrateira, silente como a histeria muda da falta de toque de um pacto debilmente velado pelo próprio silêncio.

E sem esforço, tua benevolência onipresente acolheria em braços minha egolatria umbrófila e vã novamente.

Novamente, nada mais que novamente.

(E, ao ritmo apressado do bater de coração mais brando que já presenciei, digo obrigado enquanto deveria pedir perdão.)
posted by Lucas Lara at 05:05 3 comments

21.5.09

Outrora.



"E... se por um minuto... um minuto sequer, alguém conseguir se liquefazer de sua própria mesquinhez, em prol do torpor daquela beatitude pura e incondicional, que ultrapassa qualquer julgamento e entendimento... sim, ele terá encontrado o 'momento mais marcante e epifânico da sua vida'."

(A verdade é que a languidez doutro corpo estirado tornou-se fria; e o álcool do teu momento de beatitude já não lhe é palatável.

Da epifania, efêmera, talvez seja inevitável o ruir como se é aquele dos bons sonhos.)
posted by Lucas Lara at 18:22 0 comments

15.5.09

3



- Eu te amo.

(Assim, na ânsia de espalhar seu gélido amargor por uma boca que há muito rejeitara sabores doces, o ressentir despontou bélico na garganta: )

- Foda-se.

(depois de então, dizer adeus foi fácil demais.)
posted by Lucas Lara at 00:58 2 comments

6.5.09

(Des)conforto



Há uma tênue luz nos teus olhos que reflete tudo aquilo que poderíamos ter sido.
E às vezes você me ilumina.

Há uma nota em teu timbre que ressoa todas as juras de amor reprimidas.
E às vezes teu som me acalenta.

E no sorrir, há uma pequena distorção no teu riso que clama pelo beijo cessado.
E às vezes eu rio junto.

(Odeio sentir-me tão lisonjeado)
posted by Lucas Lara at 21:06 3 comments